segunda-feira, 14 de agosto de 2017

NOSSO PAI


Ao ensinar os discípulos a orar, o Senhor Jesus Cristo revelou que Deus é verdadeiramente PAI.
Ele lhes disse: "Quando vocês orarem, digam: ‘Pai'! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. (Lucas 11:2).
A implicação prática dessa verdade é que podemos nos dirigir ao Deus do universo, o Todo-Poderoso, com a intimidade e confiança que um filho pequeno experimenta no colo de seu pai. O Deus transcendente se revela um pai presente, próximo de Seus filhos.
No mesmo sentido, o apóstolo Paulo afirma que 
"(...) todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temer, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: "Aba, Pai".
Que privilégio poder falar e se relacionar com Deus o chamando de "meu Pai" ou literalmente "Papai"! Melhor ainda é saber que Ele é de fato Pai, paradigma, provedor, zeloso, protetor e amoroso, dentre tantos outros atributos e qualidades essenciais. Que privilégio depender e confiar no Nosso Pai!

Gratidão e saudosa lembrança aos que se foram, vida longa e sabedoria aos presentes, expectativa e inspiração aos futuros papais!

Sim, feliz dia dos pais, porque temos um PAI todos os dias!
Presb. André Bronzeado.

sábado, 31 de dezembro de 2016

O ANO TERMINA, O NOVO SE APROXIMA


O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada. (João 3:27)

Não há nada de tão especial ou mágico na mudança de um calendário. O tic-tac das minúsculas engrenagens de nossos relógios continuará seu ritmo normalmente quando seus dois ponteiros se encontrarem à meia noite. Isso certamente não repercutirá diretamente nas “grandes engrenagens” que movem as nossas vidas no tempo que não para implacável diante de nós.

Não será a cor da roupa que vestiremos hoje, o lugar onde receberemos o novo ano ou as superstições mais diversas e curiosas que farão o ano que vem realmente novo para nós. Nenhum ano será realmente novo se continuarmos com as mesmas atitudes equivocadas do ano que passou. Não será novo se persistirmos nos mesmos erros. Não será novo se não lutarmos pelos objetivos. Não será novo se deixarmos de assimilar as lições que as dificuldades e crises também nos trazem.

Na verdade os anos nos reservam conquistas, vitórias, felicidade e realizações! Isso, porém, só faz sentido se entendemos que “Toda boa dádiva... todo dom perfeito... vêm do alto e descem do Pai”. Embora haja responsabilidade e participação nossa, é a vontade dEle que prevalece sobre tudo o que somos e temos. Por outro lado, é desafiador entendermos que as lutas e dificuldades são de algum modo positivas e têm muito a nos ensinar! Podemos e devemos nos alegrar nas provações, pois Deus usa até mesmo o sofrimento como instrumento de nos recriar.

Não devemos viver apenas do “Sim” para o que achamos que é melhor para nós. Isso não é saudável, é ilusão. O “Sim” só é de fato bom quando representa a bênção de Deus, que sabe como ninguém o que realmente é melhor para os seus. O “Não” pode até nos causar sofrimento, mas é também pedagógico, traz dentro de si uma lição e um propósito que não podem ser desconsiderados. O “Não” é também bênção de Deus. É também motivo de agradecer; é oportunidade de aprender!

É por isso que a Bíblia nos ensina a nos alegrar até mesmo nas provações (Tiago 1), a pedir sabedoria a Deus para enfrentá-las e compreendê-las; e, principalmente, a aprendermos com elas a perseverar na caminhada. Na verdade, as pessoas realmente favorecidas não são necessariamente as que vivem às mil maravilhas, mas sim as que passam por várias provações.

O universo paralelo das redes sociais muitas vezes nos ensina – e especialmente hoje - a sermos atores de uma vida absurdamente feliz e perfeita, mas que nem sempre é a vida real do lado de cá dos nossos smartphones. Existe um mundo de vida dentro de nós que precisa de cuidado real e as lutas da vida são uma escola que muitos rejeitam frequentar. É desafiador saber viver e encontrar na vida real motivos para agradecer mais e reclamar menos.

Hoje é dia de contabilizar o sucesso e isso é muito bom, mas é também dia de aprender com o fracasso e isso pode ser muito bom também! É tempo de agradecer pelo que passou; pela conquista e também pela frustração; pelas rosas, mas também pelos espinhos; pelos momentos felizes, mas também pelas lágrimas; pelo céu azul, mas também pelas tempestades cinzentas; pela resposta, mas também pela interminável espera. Mais um ano termina. É momento de olhar para trás com gratidão e para frente com esperança no Senhor! Ele é a grande diferença em tudo! Com Ele teremos um ano novo! Feliz 2017 para você!!!

Presb. André G. Bronzeado

É NATAL



No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.  (...) Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.  Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; (...) E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. - Evangelho de João.

É Natal! A grande mensagem dessa ocasião é a própria mensagem do Evangelho. O divino vem até nós como homem; o Eterno se torna histórico; o ambiente mais simples se enche de glória com a presença e o choro de um menino; o que ainda era desconhecido ou que se conhecia em parte, agora se revela como nunca antes. Natal significa que o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Ele manifestou Sua Glória com amor e misericórdia. Ele é o caminho, a verdade e a vida. Todos aqueles que o recebem pela fé se tornam de fato filhos de Deus. Ele mudou a História e muda principalmente a nossa história. A vida está nele e só temos vida de verdade nele! Celebremos o Natal com alegria! Um menino nos nasceu! Nasceu Jesus, nasceu o nosso Redentor! Feliz Natal!

Presb. André G. Bronzeado.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

NÃO É O FIM


Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. - João: 3.36. 


O Dia de Finados é marcado pela lembrança, orações e homenagens em favor daqueles que já passaram pela morte física. A Bíblia nos ensina que após a morte as almas dos homens voltam a Deus. Aqueles que crêem em Cristo entram em um estado de descanso e consciente alegria na presença Santa de Deus, reinando com Cristo, enquanto aguardam a ressurreição. A salvação é obra da graça de Deus. Já as almas dos que rejeitam a Cristo entram em um estado de sofrimento consciente e de escuridão, longe da presença de Deus e esperando o dia do juízo vindouro. Embora seja lícito lembrarmos dos nossos entes queridos e lhes prestar homenagens, hoje, como em todos os dias, não devemos perder a oportunidade de refletirmos sobre as nossas vidas. Jesus disse que não adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma. Este não é dia para exaltarmos a morte, mas sim de lembrarmos daquele que a venceu e que vive para sempre: Jesus Cristo! E porque Ele vive, podemos crer no amanhã!

André G. Bronzeado

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

REFORMA HOJE


“Viverá aquele que, por meio da fé, é aceito por Deus.” – Romanos 1:17 (NTLH)

Na manhã de 31 de outubro de 1517, o monge Martinho Lutero se dirigiu à porta da Catedral de Wittenberg na Alemanha e afixou um pergaminho que continha 95 teses, em sua maioria, relacionadas com a venda de indulgências praticada pela Igreja de sua época. Não muito tempo depois, este famoso protesto desencadeou vários acontecimentos que resultaram no movimento conhecido como Reforma Protestante, que logo se espalhou pelo norte e oeste da Europa.

É importante registrar que movimentos reformistas foram muito comuns dentro do cristianismo, na tentativa de evitar e corrigir desvios dos padrões bíblicos em matéria de fé e prática, sobretudo a partir do Século XII, em plena Idade Média. Cátaros, Valdenses, homens como João Wyclif, João Huss, Jerônimo Savanarola e tantos outros, empreenderam muitos esforços e perderam até a própria vida pelo simples fato de pregarem o Evangelho na língua das pessoas de modo compreensível e por defenderem a doutrina bíblica de salvação mediante a fé e não por méritos pessoais, cumprimento de ritos e compra de perdão de pecados. 

No século XVI, a Idade Média sucumbia, de modo que a Renascença trouxe um cenário favorável e composto de diversos fatores que contribuíram de algum modo para a Reforma na Igreja. Fatores políticos representados pelo desgaste e escândalos na relação íntima entre Igreja e Estado; fatores intelectuais que trouxeram à tona o espírito secular, crítico e investigativo a enxergar além do horizonte daquilo que era ensinado como verdade e que na realidade era muitas vezes a mentira e a conveniência; o fator moral que desnudou a distância existente entre o discurso cristão e a prática imoral de suas lideranças à época; e, principalmente, o fator teológico-filosófico que abriu a todos o Livro que jamais deveria ter sido fechado, a saber, a Bíblia Sagrada. Esse conhecimento e as ideias reformadas fizeram uso da melhor tecnologia de comunicação da época, a engenhosa imprensa de Johannes Gutenberg, cujo primeiro livro publicado foi a própria Bíblia, conhecida como a “Bíblia de Gutenberg”.

Apesar das várias estratégias de pressão, Lutero permaneceu firme diante dos ataques que lhe dirigiam, tendo comparecido no dia 17 de abril de 1521 ante a Dieta do Concílio Supremo do Reno, e em resposta a um pedido para que se retratasse e renegasse o que havia escrito, após algumas considerações, respondeu que não podia retratar-se, a não ser que fosse desaprovado pelas Escrituras e pela razão. Lutero terminou sua fala com estas palavras: "Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém."

A intenção de Lutero não era dividir, mas sim restaurar. As lideranças da época não foram capazes de entender isso ou mesmo não quiseram. O resultado mais tarde foi o surgimento das igrejas protestantes e todas elas tinham a Bíblia Sagrada como fonte de autoridade final. Em sua segunda fase, o grande teólogo do período e consolidador da Reforma, João Calvino, sistematizou a teologia reformada, inspirando igrejas na França, Holanda, Escócia, Suíça e Hungria a refutarem todas as práticas que não estavam de acordo com a Bíblia Sagrada. Estas igrejas também fizeram a fé reformada se espalhar pelo mundo, como os Pais Puritanos que colonizaram a América do Norte, além de missionários calvinistas enviados ao Brasil desde o século XVI, também durante o domínio holandês (Séc. XVII) e posteriormente no surgimento das denominações (congregacionais, presbiterianos e batistas). 

A causa teológica da Reforma Protestante está no anseio ao retorno à fonte da fé cristã que é a Palavra de Deus. Nesse sentido, a máxima “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda est”, isto é, “Igreja Reformada está Sempre se Reformando”, nos desafia hoje a não olharmos para o legado da Reforma apenas na perspectiva histórica. Somos desafiados como cristãos a uma reforma diária, rejeitando o erro e as heresias, a fim de conhecermos mais e mais a verdade que liberta!

Aqui estamos! – como disse Lutero. E não podemos fazer outra coisa! Precisamos hoje, mais do que nunca e com todos os instrumentos que temos, fazer valer os princípios dos "Cinco Solas" que resumem o pensamento da Reforma. É preciso reafirmarmos sempre: 

• Sola Gratia: somente pela graça vivemos e somos salvos;
• Sola Fide: somente mediante a fé somos salvos e aceitos por Deus;
• Sola Scriptura: somente a Bíblia é autoridade em matéria de fé e prática;
• Solus Christus: somente Cristo é o caminho para a salvação;
• Soli Deo Gloria: Glória somente a Deus.

Ser “reformado” não é simplesmente frequentar uma igreja, decorar catecismos e confissões de fé. Não adianta possuirmos a melhor doutrina (ortodoxia) se ela não é capaz de nos fazer pessoas realmente diferentes na prática (ortopraxia). Você hoje é também agente de grandes reformas na sua vida, na sua casa, no seu trabalho e na história das pessoas que Deus coloca ao seu redor.

Não é Halloween! Hoje é o Dia da Reforma, e o dia de reformar é hoje!

André G. Bronzeado