quinta-feira, 3 de novembro de 2016

NÃO É O FIM


Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. - João: 3.36. 


O Dia de Finados é marcado pela lembrança, orações e homenagens em favor daqueles que já passaram pela morte física. A Bíblia nos ensina que após a morte as almas dos homens voltam a Deus. Aqueles que crêem em Cristo entram em um estado de descanso e consciente alegria na presença Santa de Deus, reinando com Cristo, enquanto aguardam a ressurreição. A salvação é obra da graça de Deus. Já as almas dos que rejeitam a Cristo entram em um estado de sofrimento consciente e de escuridão, longe da presença de Deus e esperando o dia do juízo vindouro. Embora seja lícito lembrarmos dos nossos entes queridos e lhes prestar homenagens, hoje, como em todos os dias, não devemos perder a oportunidade de refletirmos sobre as nossas vidas. Jesus disse que não adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma. Este não é dia para exaltarmos a morte, mas sim de lembrarmos daquele que a venceu e que vive para sempre: Jesus Cristo! E porque Ele vive, podemos crer no amanhã!

André G. Bronzeado

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

REFORMA HOJE


“Viverá aquele que, por meio da fé, é aceito por Deus.” – Romanos 1:17 (NTLH)

Na manhã de 31 de outubro de 1517, o monge Martinho Lutero se dirigiu à porta da Catedral de Wittenberg na Alemanha e afixou um pergaminho que continha 95 teses, em sua maioria, relacionadas com a venda de indulgências praticada pela Igreja de sua época. Não muito tempo depois, este famoso protesto desencadeou vários acontecimentos que resultaram no movimento conhecido como Reforma Protestante, que logo se espalhou pelo norte e oeste da Europa.

É importante registrar que movimentos reformistas foram muito comuns dentro do cristianismo, na tentativa de evitar e corrigir desvios dos padrões bíblicos em matéria de fé e prática, sobretudo a partir do Século XII, em plena Idade Média. Cátaros, Valdenses, homens como João Wyclif, João Huss, Jerônimo Savanarola e tantos outros, empreenderam muitos esforços e perderam até a própria vida pelo simples fato de pregarem o Evangelho na língua das pessoas de modo compreensível e por defenderem a doutrina bíblica de salvação mediante a fé e não por méritos pessoais, cumprimento de ritos e compra de perdão de pecados. 

No século XVI, a Idade Média sucumbia, de modo que a Renascença trouxe um cenário favorável e composto de diversos fatores que contribuíram de algum modo para a Reforma na Igreja. Fatores políticos representados pelo desgaste e escândalos na relação íntima entre Igreja e Estado; fatores intelectuais que trouxeram à tona o espírito secular, crítico e investigativo a enxergar além do horizonte daquilo que era ensinado como verdade e que na realidade era muitas vezes a mentira e a conveniência; o fator moral que desnudou a distância existente entre o discurso cristão e a prática imoral de suas lideranças à época; e, principalmente, o fator teológico-filosófico que abriu a todos o Livro que jamais deveria ter sido fechado, a saber, a Bíblia Sagrada. Esse conhecimento e as ideias reformadas fizeram uso da melhor tecnologia de comunicação da época, a engenhosa imprensa de Johannes Gutenberg, cujo primeiro livro publicado foi a própria Bíblia, conhecida como a “Bíblia de Gutenberg”.

Apesar das várias estratégias de pressão, Lutero permaneceu firme diante dos ataques que lhe dirigiam, tendo comparecido no dia 17 de abril de 1521 ante a Dieta do Concílio Supremo do Reno, e em resposta a um pedido para que se retratasse e renegasse o que havia escrito, após algumas considerações, respondeu que não podia retratar-se, a não ser que fosse desaprovado pelas Escrituras e pela razão. Lutero terminou sua fala com estas palavras: "Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém."

A intenção de Lutero não era dividir, mas sim restaurar. As lideranças da época não foram capazes de entender isso ou mesmo não quiseram. O resultado mais tarde foi o surgimento das igrejas protestantes e todas elas tinham a Bíblia Sagrada como fonte de autoridade final. Em sua segunda fase, o grande teólogo do período e consolidador da Reforma, João Calvino, sistematizou a teologia reformada, inspirando igrejas na França, Holanda, Escócia, Suíça e Hungria a refutarem todas as práticas que não estavam de acordo com a Bíblia Sagrada. Estas igrejas também fizeram a fé reformada se espalhar pelo mundo, como os Pais Puritanos que colonizaram a América do Norte, além de missionários calvinistas enviados ao Brasil desde o século XVI, também durante o domínio holandês (Séc. XVII) e posteriormente no surgimento das denominações (congregacionais, presbiterianos e batistas). 

A causa teológica da Reforma Protestante está no anseio ao retorno à fonte da fé cristã que é a Palavra de Deus. Nesse sentido, a máxima “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda est”, isto é, “Igreja Reformada está Sempre se Reformando”, nos desafia hoje a não olharmos para o legado da Reforma apenas na perspectiva histórica. Somos desafiados como cristãos a uma reforma diária, rejeitando o erro e as heresias, a fim de conhecermos mais e mais a verdade que liberta!

Aqui estamos! – como disse Lutero. E não podemos fazer outra coisa! Precisamos hoje, mais do que nunca e com todos os instrumentos que temos, fazer valer os princípios dos "Cinco Solas" que resumem o pensamento da Reforma. É preciso reafirmarmos sempre: 

• Sola Gratia: somente pela graça vivemos e somos salvos;
• Sola Fide: somente mediante a fé somos salvos e aceitos por Deus;
• Sola Scriptura: somente a Bíblia é autoridade em matéria de fé e prática;
• Solus Christus: somente Cristo é o caminho para a salvação;
• Soli Deo Gloria: Glória somente a Deus.

Ser “reformado” não é simplesmente frequentar uma igreja, decorar catecismos e confissões de fé. Não adianta possuirmos a melhor doutrina (ortodoxia) se ela não é capaz de nos fazer pessoas realmente diferentes na prática (ortopraxia). Você hoje é também agente de grandes reformas na sua vida, na sua casa, no seu trabalho e na história das pessoas que Deus coloca ao seu redor.

Não é Halloween! Hoje é o Dia da Reforma, e o dia de reformar é hoje!

André G. Bronzeado

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

COMO UMA CRIANÇA


Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele – Mc 10:15

Hoje é dia das crianças e muito se diz que independentemente da idade, todo adulto tem um pouco de criança dentro de si. É verdade que toda idade tem suas características próprias e com suas experiências também podemos aprender muito no curso de nossas vidas. Assim também, as crianças têm sim muito a nos ensinar!
Em certa ocasião, o Senhor Jesus se “indignou” de forma muito singular e veemente quando os seus próprios discípulos pretendiam afastar algumas crianças que se aproximavam dele. Jesus demonstrou certa oposição à cultura de exclusão de mulheres e crianças, muito comum em seu contexto à época. Os discípulos até ali subestimavam o valor de uma criança e ignoravam a verdadeira natureza do Reino de Deus.
Então Jesus tomou uma daquelas crianças no colo, transformando-a em uma marcante ilustração de como devem ser aqueles que se aproximam dele. De certo modo, podemos afirmar que a nossa conversão consiste também em nos tornarmos como crianças diante de Cristo. A ênfase de Jesus ao receber as crianças não está, como muitos pensam, na inocência nem na humildade delas, mas sim na sua receptividade e dependência . Há muito a aprender com as atitudes de uma criança para a nossa vida espiritual.
Você certamente já deve ter conversado com uma delas em algum momento da vida e notou o modo como a criança abre bem os olhos demonstrando expectativa e crença naquilo que você está a dizer. Não importa o conteúdo, a contemplação da criança e o seu envolvimento com a história nos motiva a prosseguir a conversa. Elas não se sentem cheias de si, querem ouvir, querem aprender, querem conhecer...
Aí nos tornamos “adultos” e não mais como crianças olhamos para as palavras do nosso Deus. Simplesmente não cremos em suas palavras; para nós se tornaram fábulas, lendas, meras historinhas infantis. Falta-nos a receptividade e crença de uma criança, por mais absurda que nos pareça a mensagem, os nossos olhos, como os de uma criança, devem brilhar demonstrando fé que aquilo que estamos ouvindo é a verdade!
As crianças também nos ensinam a lição da dependência. Quando somos pequeninos, reconhecemos o quanto dependemos dos nossos pais. Diante das adversidades, desde cedo, aprendemos a correr para os seus braços como nosso porto seguro. Ali é o lugar mais seguro. Quando sofremos temos a capacidade de reconhecer nossa pequenez e vulnerabilidade e logo chamamos pelos nossos pais. Quando crianças não nos sentimos seguros fazendo as coisas sozinhos, queremos sempre um apoio. E Então crescemos e o que mais desejamos é a tal da independência! Ensimesmados nos tornamos nossos próprios deuses. Achamos que governamos tudo ao nosso redor e que tudo o que temos e somos é por mérito próprio e só.
Infelizmente [ou não], só voltamos a reconhecer o valor dessas atitudes de uma criança quando somos provados pela vida. É certo que o Reino de Deus não é alcançado por obras nem méritos. Porém, o coração das crianças é um modelo de atitude para aqueles que desejam herdar e participar dele. Aproximemo-nos de Deus como uma criança, com fé e dependência. Há uma criança dentro de você!

André G. Bronzeado